"SENHOR, FAZEI-ME INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ".

Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo,imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". (Vida de S. Francisco - 1Cel 84)

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você está fazendo o impossível.São Francisco de Assis"

sábado, 7 de outubro de 2017

Saída do Ambulatório do Hospital AME de São José do Rio Preto-SP

Local de reflexão e agradecimento na saída do Ambulatório Médico de Especialidades-AME de São José do Rio Preto-SP, pelo atendimento humanizado, e feliz com a certeza da Saúde em ordem ou garantia de tratamento.

Um momento de Fé e agradecimento a Deus. 

O AME foi inaugurado em 17 de novembro de 2009, e funciona por meio de parceria entre a Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus (Organização Social de Saúde – OSS) e o Governo do Estado de São Paulo




quarta-feira, 4 de outubro de 2017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

VIDA DE SANTA CLARA DE ASSIS-(Seu dia 11/08)


Escuta filha, vê e presta atenção,
Esquece o teu povo e a casa de teu pai.
De tua Beleza se encantará o rei;
Ele é teu Senhor, inclina-te diante dele!”
(Salmo 44)

Chiara Favarone di Offreduccio nasceu a 16 de julho de 1194, em Assis. Seu nome, dado pela mãe, é a sua carteira de identidade: “Clara de nome, mais clara por sua vida e claríssima nas virtudes” (1Cel 8 ). Esta é a nossa Clara de Assis, Santa Clara, Mãe e Irmã, sopro do Espírito, luz para os que buscam as trilhas do sagrado e a plenitude do humano! Santa Clara morreu aos 11 de Agosto de 1253, no Convento de São Damião, aos sessenta anos, apertando nas mãos e no coração a Regra de Vida aprovada por Inocêncio IV, seu sonho, vocação e realização.
Aos dezoito anos, no dia 19 de Março de 1212, junta-se a Francisco de Assis, na Igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula e, a partir dali, Assis e o mundo ganham um modo fascinante e próprio de encarnar o Evangelho. A gentil dama assisiense diz adeus aos projetos da família biológica, às ofertas do mundo, à sua beleza e aos dotes matrimoniais, à riqueza, ao palácio, castelo e nobreza, à presença na sociedade de Assis, e vai, com sensibilidade e coragem indomável, seguir os caminhos do Senhor numa nova família espiritual. Esta escolha juvenil teve as marcas da fidelidade por quarenta anos.
Na sua adolescência e juventude, antes de seguir radicalmente o Evangelho e o jeito de Francisco, Clara já acolhia, atendia, cuidava e nutria enfermos, pobres e leprosos. Distribuía sorrisos, presença, sopa, ataduras e aquele modo feminino de aliviar as misérias de então. Uma mulher como ela, destinada às cortes e aos príncipes, que encontra tempo para os que estão fora do status e da riqueza, só pode inaugurar um virtuoso caminho que leva à santidade.
Esta mulher bela, inteligente, amável, segura, piedosa e admirada, constrói no jeito natural de sua juventude, a grande fundadora da Segunda Ordem, as Damas Pobres, as Reclusas de São Damião, as Damianitas, enfim as Clarissas. Quem tem uma vida concreta arrasta atrás de si seguidoras: Inês e Beatriz, suas irmãs de sangue, sua mãe Ortolana, cinqüenta Irmãs naquele primeiro Mosteiro de Assis e tantíssimas Irmãs Clarissas espalhadas pelo mundo. Quem são as Clarissas? Vamos buscar a resposta nas Fontes primitivas:
O biógrafo medieval, Tomás de Celano, assim diz: “Este é aquele feliz e santo lugar em que, decorrido já o espaço de quase seis anos da conversão do bem-aventurado Francisco, teve feliz início, por intermédio do mesmo homem bem-aventurado, a gloriosa Religião e excelentíssima Ordem das Damas Pobres e virgens santas; neste lugar, viveu a Senhora Clara, oriunda da cidade de Assis, pedra preciosa e fortíssima, fundamento de outras pedras sobrepostas. (...) Ela foi posta como proveito para muitas e, como exemplo, para inúmeras. Nobre pela estirpe, mais nobre pela graça; virgem no corpo, castíssima no espírito; jovem na idade, mas madura no espírito; firme no propósito e ardentíssima no desejo do amor divino; dotada de sabedoria e de especial humildade.(...) Sobre ela ergueu-se a nobre estrutura de preciosíssimas pérolas, cujo louvor provém não dos homens, mas de Deus (Rm2,29), visto que nem a limitada faculdade de pensar é capaz de meditá-la, nem a concisa linguagem é capaz de explicá-la. Pois, antes de tudo, vigora entre elas a especial virtude da mútua e contínua caridade que de tal forma une as vontades delas que, morando juntas quarenta ou cinquenta no mesmo lugar, o mesmo querer e o mesmo não querer fizeram nelas de diversos um único espírito. Em segundo lugar, em cada uma brilha a gema da humildade que de tal modo conserva os dons concedidos e os bens recebidos dos céus que merecem as demais virtudes. Em terceiro lugar, o lírio da virgindade e da castidade de tal maneira asperge todas com admirável odor que, esquecidas dos pensamentos terrenos, elas desejam meditar unicamente os celestes, e de fragrância dele nasce tão grande amor para com o Esposo eterno nos corações delas que a integridade deste sagrado afeto exclui delas todo costume da vida anterior. Em quarto lugar, todas foram marcadas pelo título da altíssima pobreza a ponto de mal ou nunca consentirem em satisfazer a extrema necessidade do alimento e da veste” (1Cel 8, 18-19).
Juntemos a esta precisa descrição de Celano a verdade de que Clara e suas filhas tem a coragem de centrar toda a energia do amor no Único Esposo, um amor incondicional, um amor de intimidade; que encontram na oração e na contemplação os canais mais convergentes para o Divino; na quietude e na solicitude, na fraternidade e na atividade, na minoridade e na benignidade, a tarefa de amar e servir.
Clara e Irmãs Clarissas, tronco da mesma raiz, flores femininas da mesma planta; missionárias da prece, comunhão eclesial, guardiãs do melhor que o Carisma tem: revelação, inspiração, reconstrução. Elas cuidam do manancial de onde brota a nossa vida evangélica franciscana, água viva com sabor clariano, que não podemos deixar de beber. Na Festa de Santa Clara vamos pedir a bênção para a Mãe!

Fonte Frei Vitório Mazzuco Filho:  http://carismafranciscano.blogspot.com/

Ver mais sobre a vida da Santa Clara:

Santa Clara de Assis  

Santa Clara nasceu em 1193 ou em 1194, na cidade de Assis, filha primogênita antes de outras duas irmãs. Sua família, por parte de pai, era uma família de cavaleiros; por parte de mãe, Clara tinha também o sangue da nobreza. Seu pai se chamava Favarone de Offreduccio, e sua mãe, Hortolana. Além da nobreza de origem, a família era rica, possuidora de não poucos bens. 

Como convinha a uma jovem da nobreza, Clara foi educada para ser uma mulher da sociedade, mas sua mãe, mulher de profunda piedade cristã, não se descuidou de transmitir-lhe também os ensinamentos da religião. Assim, desde criança, Clara acompanhava os gestos caridosos de sua mãe para com os pobres de Assis. E ela mesma, desde tenra idade, já se privava de iguarias para, às escondidas, dá-las aos pobres.

Na idade de 17 para 18 anos, momento em que seus pais já estavam preocupados em arranjar-lhe um bom casamento, Clara, sob pretexto de pensar melhor sobre sua vida, postergava sempre a idéia de contrair matrimônio, recusando com delicadeza os pretendentes que os pais lhe apresentavam. Foi neste tempo que ouviu falar de Francisco, um jovem que deixou família e riquezas para, com um grupo de companheiros - todos considerados loucos pela sociedade - simplesmente viver segundo o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta idéia a empolgou. Estava decidida: iria viver como aqueles jovens. Depois de algumas conversas com Francisco, foi feito por ambos um plano de fuga. Deste modo, na noite do domingo de Ramos de 1211 (ou 1212), Clara abandonava a casa e era conduzida à capela de Francisco e de seus companheiros para, aí, depor suas ricas vestes e vestir o hábito da penitência. Após esta breve cerimônia, Clara foi conduzida a um mosteiro de monjas beneditinas.

Quando a fuga foi descoberta, os parentes foram ao encalço dela. Tentaram de todos os modos possíveis convencê-la a voltar para casa. Mas ela, agarrando-se à toalha do altar, tirou o véu que lhe cobria a cabeça tonsurada, sinal de sua consagração a Deus. Os parentes viram que nada mais tinham que fazer.

Duas semanas depois, nova fuga da casa de Favarone. Era a segunda filha, Inês, que fugia e ia viver com Clara. Nova tentativa dos parentes de conduzir de volta a segunda filha. Tudo em vão. Assim, a nova comunidade fundada por Clara começava a crescer. Vieram em seguida suas antigas companheiras: Pacífica, Benvinda de Perusa, Cecília de Gualtieri, Filipa de Gislério, Cristiana de Bernardo e outras. Mais tarde veio também a outra irmã, Beatriz, e finalmente sua mãe Hortolana.

Depois de mais de quarenta anos de vida no mosteiro, uma vida escondida que, no entanto, irradiava por todas as regiões da Itália, Clara faleceu aos 11 de agosto de 1253, sendo canonizada apenas dois anos depois de seu falecimento.

"BENÇÃO DE SANTA CLARA"
"Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". O Senhor as abençoe e guarde. Mostre-lhes o seu rosto e tenha misericórdia de vocês. Volte a sua face para vocês e lhes dê a paz, a vocês minhas irmãs e filhas, e a todas as outras que vierem e permanecerem em sua comunidade, e a todas as outras, tanto presentes quanto futuras, que perseverarem até o fim nos outros mosteiros das senhoras pobres.

Eu, Clara, serva de Cristo, plantinha do nosso bem-aventurado pai São Francisco, irmã e mãe de vocês e das outras irmãs pobres, embora indigna, rogo a nosso Senhor Jesus Cristo, por sua misericórdia e por intercessão de sua Santíssima Mãe Santa Maria, de São Miguel Arcanjo e de todos os anjos de Deus, do nosso bem-aventurado Pai Francisco e de todos os santos e santas, que o próprio Pai celeste lhes dê e confirme esta santíssima bênção no céu e na terra: na terra, fazendo-as crescer na graça e em virtude entre seus servos e servas na sua Igreja militante; no céu, exaltando-as e glorificando-as na Igreja triunfante entre os seus santos e santas.

E as abençôo em minha vida e depois de minha morte, como posso com todas as bênçãos com que o Pai das misericórdias abençoou e abençoará seus filhos e filhas no céu e na terra, com os quais um pai e uma mãe espiritual abençoaram e abençoarão seus filhos e filhas espirituais. Amém.

Amem sempre as suas almas e as de todas as suas Irmãs, e sejam sempre solícitas na observância do que prometeram a Deus.

O Senhor esteja sempre com vocês, e oxalá estejam vocês também sempre com Ele". Amém.

Texto congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição.

Especial Santa Clara de Assis - A Consagração.

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Clara chegou à Porciúncula. Francisco a acolheu e lhe deu as boas-vindas. Comovida, ela entrou na igreja, ajoelhou-se diante do altar e, por alguns instantes, deteve-se em oração. Depois, levantou-se com decisão; tirou o calçado, despiu-se do vestido de brocado e o trocou por uma túnica grosseira, retirou seu rico cinto e o substituiu por uma corda áspera.
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Em seguida, ajoelhou-se ainda; soltou de uma vez os cabelos que deslizaram sobre os ombros; depois, permaneceu com a cabeça inclinada, à espera do último sacrifício.
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Francisco recolheu com delicadeza a loura cabeleira e, bem devagarzinho, a cortou. A cerimônia estava acabada.
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A reação dos parentes
Como era de se prever, a reação dos parentes de Clara não se fez esperar. Pela manhã, apenas descobriram sua fuga, puseram-se em pé de guerra e rapidamente chegaram ao mosteiro de São Paulo para reconduzi-la à casa. Ameaçaram arrombar a porta. Querem Clara, viva ou morta. Com o aparato exterior e as ameaças, esperam assustá-la, mas iludem-se! Clara é irremovível. Visto que era vã toda a ameaça, recorrem às boas maneiras, às lisonjas e às promessas; fazem apelo aos sentimentos, à dor da mãe, das irmãs, de toda a família, mas Clara é inflexível; sabe que está mais em segurança entre aquelas paredes do que se estivesse num castelo.
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Agarra-se ao altar – Quando se dá conta de que estão a ponto de perder o controle e recorrer à violência, Clara, com um gesto, fez desmoronar todas as ilusões deles: foge para a igreja e corre para junto ao altar; com uma das mãos segura a toalha e com a outra retira o véu da cabeça, fazendo-a aparecer sem os cabelos que haviam sido cortados.
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Demonstrava, assim, ser agora consagrada a Deus e que ninguém podia tocá-la. Diante de tanta firmeza, aos familiares outra coisa não restou senão abandonarem a igreja e o mosteiro e partirem confusos.
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Transferida para o mosteiro de Santo Ângelo – Em São Paulo, Clara pôde permanecer só poucos dias. Foram talvez as próprias monjas a solicitar o afastamento dela depois da confusão provocada por sua presença.
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Francisco interessou-se pela transferência dela. Mais uma vez, dirigiu-se aos Padres Beneditinos e obteve a transferência de Clara para o mosteiro de Santo Ângelo de Panzo.
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Finalmente um pouco de paz! – Na quietude e no silencio do mosteiro de Santo Ângelo, Clara pôde revigorar o seu ideal de vida.
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Apegava-se cuidadosamente às prescrições da Regra de São Bento, que possui como fundamento: “Ora et Labora”! Com isso, Clara não pretendia, certamente, abraçar a Regra de São Bento. Não teria tido sentido sua fuga para a Porciúncula, durante a noite, seu total abandono a Deus para além de qualquer estrutura, a exemplo de Francisco.
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No mosteiro de Santo Ângelo, Clara viveu por algumas semanas. Foram para ela dias de serenidade e de alegria indescritíveis.
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A alegria de Clara estava toda no sentir-se amada e protegida pelo Senhor, como mesmo amor com que uma mãe protege sua filhinha.
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A fuga de casa lhe havia fechado o mundo às costas para abrir-lhe um umbral do mistério de Deus. Sua vida, agora, havia se transformado em um arco-íris de oração e contemplação: em um agradecimento alegre e infantil.
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Fugira de casa em uma noite de primavera, para abraçar o ideal de total pobreza, e encontrara a verdadeira liberdade, a perfeita alegria. Havia atingido o seu sonho.
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Encontra-se com sua irmã Inês
Clara sentia a necessidade de externar sua ardente experiência mística. Quase todos os dias, sua irmã Inês ia visitá-la: era uma jovem belíssima, de somente quinze anos, de grande sensibilidade para com o sobrenatural. Depois da fuga de Clara, os familiares haviam depositado nela sua esperança.
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“Cara Inês — confiava-lhe a irmã — lembra-te: é preferível viver um só dia na casa do Senhor, que mil dias fora dela. A juventude é vento que passa. A beleza se desvanece como a fumaça. A vida termina e aqui não fica nada.
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“Oh! minha irmã, se tu pudesses provar a doçura do amor do Senhor! E um amor sempre jovem, que ninguém nos pode arrebatar!”

Fonte: http://diadiafranciscano.blogspot.com.br


Mensagem da Província - Santa Clara de Assis



Acompanhe a mensagem do Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, para o dia de Santa Clara de Assis.

www.franciscanos.org.br

Música: Laudato si' mi Signore - Marco Frisina


terça-feira, 8 de agosto de 2017

O jeito franciscano de não ter cargo de mando


Nas Crônicas de Salimbene de Parma temos o relato: “Também Frei João de Parma, sendo Ministro Geral, quando se tocava o sino para limpar os legumes ou verduras, ia aos grupos de trabalho do convento e trabalhava como os outros irmãos, como muitas vezes vi com meus olhos. E porque me era familiar, eu lhe dizia: “Pai, vós fazeis o que ensinou o Senhor: Quem é o maior entre vós faça-se o menor, e o que precede como quem serve” (Lc 22,26). E ele respondia: “Assim devemos cumprir toda justiça, isto é, a perfeita humildade”. Também participava do ofício eclesiástico dia e noite, principalmente das Matinas, das Vésperas e da missa conventual. Tudo o que o cantor lhe pedia, fazia-o imediatamente, iniciando as antífonas, cantando as leituras e responsórios e rezando as missas conventuais” (Slb 44).
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Num mundo onde existe competição, excesso de status hierárquico, sedução do poder, domínio e ostentação do cargo de mando, vale este jeito franciscano de servir. Ter um cargo não é ter poder, mas serviço. Serviço como a ação generosa de se dar, uma ação esplendorosa de disponibilidade humilde, generosa, cheia de cordialidade. Fazer na pura gratuidade, no modo de doar-se livremente, voluntariamente, na oferenda do fenômeno chamado amor.
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Não é ter cargo de mando, mas estar na ação espontânea de ser útil, ser capaz de estar à altura de uma grande ou pequena ação feita na boa vontade. É aquele que tem no servir o espírito do serviço. Servir é eliminar a superioridade. Não é ser maior ou melhor, mas é dar-se sem conotação de domínio, de imposição, de exploração e de poder. É a original doação do simples, capaz de um trabalho humilde.

Frei Vitório Mazzuco

domingo, 6 de agosto de 2017

SÃO FRANCISCO E OS LEPROSOS(Vídeo)



Francisco de Assis, o amante de toda humildade transferiu-se para um leprosário. Vivia com os leprosos, servindo a todos por amor de Deus, com toda diligência. Lavava-lhes a podridão dos corpos e limpava até o pus de suas chagas, como escreveu em seu Testamento: "Como estivesse ainda em pecado, parecia-me deveras insurportável olhar para leprosos, mas o Senhor me conduziu para o meio deles e eu tive misericórdia com eles".
Esta visão lhe era de tal modo insurportável que segundo suas próprias palavras, no tempo de sua vida mundana, tapava o nariz só ao ver suas cabanas a duas milhas de distância. Mas, como por graça e força do Altíssimo, já tinha começado a pensar nas coisas santas e úteis, quando ainda vivia como secular, encontrou-se um dia com um leproso e superando a si mesmo, aproximou-se e o beijou.

(TOMÁS DE CELANO - VIDA I, Capítulo 7, 17)

Arquivos PSC


FRANCISCO E BEIJO NO LEPROSO

                 
O biógrafo Tomás de Celano em 2Cel 9, 11 relata: “Quando o leproso lhe estendeu a mão como que para receber alguma coisa, ele colocou dinheiro com um beijo (...). Repleto, a partir daí, de admiração e de alegria, depois de poucos dias, trata de fazer obra semelhante. Dirige-se às habitações dos leprosos e, depois de ter dado o dinheiro a cada leproso, beija a mão e o rosto deles. Assim toma as coisas amargas como doces”.

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Esta é uma passagem impactante da vida de Francisco de Assis. Mexe com o nosso imaginário ou nosso asco. Mas afinal que beijo é este? Quem beijou quem? Deixar-se beijar é mais do que beijar. Em meio a banalização atual do beijo, como compreender que alguém possa dar um beijo na beleza do horrível? Com unir doçura em meio ao amargo da vida?
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Beijo é passar a intimidade através do sopro sagrado do espírito que respira em nós. Beijo é hálito vital, é insuflar vida. Não existe beijo verdadeiro que não seja um caminho progressivo de aproximação. 
É um lento, longo e necessário processo de conquista do outro diferente de mim. Francisco foi beijado por uma inspiração. Sentia-se beijado pelas obras do Senhor: vento, água, ar, nuvens e pássaros. Sentia-se beijado pela Encarnação: o Amor divino vem morar no aconchego da carne do humano. Sentia-se beijado pelo sopro do Espírito. Beijo é comunhão de alma e não apenas comunhão física. Beijo é passar para o diferente de mim quem eu sou. É passar aquilo que está no centro de nosso ser. O beijo é como moldar novamente, do barro, a obra perfeita soprando nela a força da vida. É respirar do mesmo jeito. É o momento onde o corpo obedece o espírito.
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Beijar o leproso foi um ponto de virada em Francisco. Mudou o seu destino espiritual. Aprendeu que não basta encher as mãos de alguém de bens materiais sem um gesto de afeto. É o beijo do lava-pés, é o beijo de Madalena nos pés de Jesus; puro encontro de divindades! 
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A partir do beijo no leproso Francisco estava preparado para reconstruir o despedaçado mundo do humano em ruínas por falta de gestos de amor e cuidado. No beijo nos reconstruímos passando sopro, saliva, silêncios e reverência.
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FREI VITÓRIO MAZZUCO, OFM




O BEIJO NO LEPROSO

Segundo o escritor Gianmaria Polidoro, em “Francisco” (Vozes), entre os anos de 1205 e 1206, não sabemos qual de dois grandes acontecimentos tenha tido a precedência na perturbação da calma eremítica de Francisco, sempre pensativo quanto ao caminho a seguir. Não foi através da meditação que descobriu a estrada certa. Encontrou-a diante de si no exato momento em que se viu envolvido por duas extraordinárias experiências que lhe abriram um horizonte excitante: o encontro com o leproso na planície de Assis e a voz do Crucifixo que lhe falou em São Damião.
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Em 1206, passeando a cavalo pelas campinas de Assis, viu um leproso, que sempre lhe parecera um ser horripilante, repugnante à vista e ao olfato, cuja presença sempre lhe havia causado invencível nojo.
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Mas, então, como que movido por uma força superior, apeou do cavalo, e, colocando naquelas mãos sangrentas seu dinheiro, aplicou ao leproso um beijo de amizade. Talvez a motivação para este nobre e significativo gesto tenha sido a recordação daquela frase do Evangelho: “Tudo o que fizerdes ao menor de meus irmãos, é a mim que o fazeis” (Mt 10,42).
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Falando depois a respeito desse momento, ele diz: “O que antes me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me a Deus”.
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Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
http://www.franciscanos.org.br


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Francisco de Assis, visitado pelo Senhor

Diz a Legenda dos Três Companheiros: “Quando, já refeitos, saíram de casa e os companheiros todos juntos o precediam, indo pela cidade a cantar, ele, levando o báculo na mão como senhor, ia um pouco atrás deles, não cantado, mas meditando com mais diligência. E eis que subitamente é visitado pelo Senhor, seu coração fica repleto de tão grande doçura que ele não podia falar, sentir nem se mover, e nada mais conseguia sentir ou ouvir, a não ser aquela doçura que de tal modo o alienara dos sentidos corporais que, - como ele disse posteriormente – se naquele momento tivesse sido todo cortado em pedaços, não teria podido mover-se do lugar” ( 3Comp III, 3-4 ).
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Em muitos e muitos momentos de sua vida, Francisco de Assis entrou num recolhimento necessário. Saiu dos tumultos do mundo para concentrar-se em estar mais perto do seu Senhor. Numa busca fervorosa, as respostas vão tornando-se mais claras. É uma passagem mística! E a passagem mística significa de uma experiência que se tem escolher com mais intensidade, escolher o melhor, escolher com exatidão o que é o Espírito do Senhor e o seu santo modo de operar e recolher-se mais na exatidão do que o Espírito do Senhor está pedindo. É o instante de intimidade que irrompe no coração.
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Ser visitado pelo Senhor, ser visitado pela inspiração, ser visitado pelo amor. É aquele momento que instaura uma vontade de existir na doçura do Senhor. A partir de então, Francisco de Assis fala com a suavidade do Senhor. Doçura é contraste com a aridez, doçura é contrário de vazio, do sem sentido. Ao encontrar o instante da graça que toma conta de todo ser, Francisco de Assis procura não perder este momento, e guarda o suave, hospeda a calma e, na serenidade, tem as melhores palavras, atos e presença. Na paz que isto traz percebe melhor a verdade de todas as coisas. Começa a falar com a tranquilidade do Senhor. Vai mais para dentro de si, torna-se rigoroso na busca, mas muito cordial com tudo e todos. Encontra a nova medida do agradável. Experimenta o serviço abnegado ao desprezível.
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Ser visitado pelo Senhor é a doçura do enamoramento, a medida exata do modo de amar, servir e trabalhar; é ter a coragem de ser diferente, de ser despertado por uma grande afeição. Ser visitado pelo Senhor traz para Francisco o sabor suave da vida. Atentos a esta experiência vamos também experimentá-la em nós.

FREI VITÓRIO MAZZUCO


quarta-feira, 7 de junho de 2017

É verdade que São Francisco “enxergava” a consciência dos outros?


Conta-se que ele sabia, por divina revelação, de todos os méritos e virtudes de seus companheiros
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Só Deus conhece o que há no coração e na mente de cada pessoa. Contam-se muitas histórias sobre dons e graças particulares concedidos aos grandes santos: muitas dessas histórias são verificáveis porque se dispõe de testemunhos históricos. Outras, porém, chegaram até nós mediante relatos e pontos de vista de terceiros, sendo muito mais difíceis de “comprovar”. Como quer que seja, Deus é infinitamente capaz de dar os dons que quiser a quem bem quiser. E, de São Francisco de Assis, um dos dons que se contam é o de que podia saber dos méritos e também defeitos dos seus companheiros, conforme se vê no seguinte excerto dos famosos “Fioretti“, ou relatos poéticos sobre a vida do Pobrezinho de Assis, escritos e retransmitidos desde a Idade Média:
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Como Nosso Senhor Jesus Cristo disse no Evangelho: “Eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem”, assim o bem-aventurado Pai São Francisco, como bom pastor, sabia por divina revelação de todos os méritos e virtudes de seus companheiros, e assim conhecia seus defeitos.
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Razão pela qual ele sabia prover com ótimo remédio, isto é, humilhando os soberbos e exaltando os humildes, vituperando os vícios, louvando as virtudes; como se lê nas admiráveis revelações que tivera daquela sua primitiva família.
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Entre as quais se fala que uma vez estando São Francisco com a dita família em um convento a tratar de Deus, e Frei Rufino não estando com eles naquela conversação, mas estava na floresta em contemplação.
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Continuando a conversação sobre Deus, eis que Frei Rufino sai da floresta e passa um pouco diante deles. Então São Francisco, vendo-o, voltou-se para os companheiros e lhes perguntou dizendo-lhes:
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“Dizei-me qual acreditais que seja a mais santa alma, a qual Deus tenha agora no mundo?”
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E respondendo-lhe acreditarem que fosse a dele, São Francisco lhes disse:
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“Caríssimos irmãos, eu próprio sou o homem mais indigno e mais vil que Deus tem neste mundo; mas vedes aquele Frei Rufino, o qual sai agora da floresta? Deus me revelou que a alma dele é uma das três mais santas almas que Deus tem neste mundo; e firmemente vos digo que não duvidarei de chamar-lhe em vida São Rufino, porque sua alma está confirmada em graça e santificada e canonizada no céu por Nosso Senhor Jesus Cristo”.
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E estas palavras não dizia São Francisco em presença do dito Frei Rufino.
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Igualmente, como São Francisco conhecia os defeitos de seus frades, compreende-se claramente em Frei Elias, ao qual muitas vezes repreendia pela sua soberba, e em Frei João da Capela, ao qual predisse que se devia enforcar, e naquele frade a quem o demônio apertava a garganta ao ser repreendido por desobediência, e em muitos outros frades, cujos defeitos ocultos e virtudes conhecia pela revelação de Cristo bendito.

Amém
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Dos “Fioretti” de São Francisco, mediante o blog Contos e Lendas Medievais
https://pt.aleteia.org/


domingo, 4 de junho de 2017

5 coisas que todo católico deve saber sobre o Espírito Santo


Pentecostes é o dia em que os cristãos recordam quando Jesus, depois de sua Ascensão ao céu, enviou o Espírito Santo aos seus discípulos. Posteriormente, os apóstolos saíram às ruas de Jerusalém e começaram a pregar o Evangelho e “os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos”.
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A seguir, são apresentados alguns pontos para entender quem é o Espírito Santo.
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1. O Espírito Santo é uma pessoa
O Espírito Santo não é uma “coisa” ou um “que”, o Espírito Santo é um “Ele” e um “quem”. Ele é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Embora possa parecer mais misterioso que o Pai e o Filho, é tão pessoa quanto eles.
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2. É completamente Deus
Que o Espírito Santo seja “terceira pessoa da Trindade” não significa que seja inferior ao Pai ou ao Filho. As três pessoas, incluindo o Espírito Santo, são totalmente Deus e “há uma mesma divindade, igual em glória e coeterna majestade”, como diz o Credo de Atanásio.
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3. Sempre existiu, inclusive nos tempos do Antigo Testamento
Embora tenhamos aprendido a maioria das coisas sobre Deus-Espírito Santo (assim como sobre Deus-Filho) no Novo Testamento, Este sempre existiu. Deus existe eternamente em três pessoas. Assim, quando ler acerca de Deus no Antigo Testamento, recorde que se trata das três pessoas da Trindade, entre eles o Espírito Santo.
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4. No Batismo e na Crisma se recebe o Espírito Santo
O Espírito Santo pode estar ativo no mundo de formas misteriosas e que nem sempre se compreendem. Entretanto, uma pessoa recebe o Espírito Santo de uma maneira especial pela primeira vez no Batismo (At 2,38) e, depois, é fortalecido com seus dons na Crisma.
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5. Os cristãos são templos do Espírito Santo
Os cristãos têm o Espírito Santo, que habita neles de uma maneira especial e, portanto, existem graves consequências morais como explica São Paulo:
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“Fuja da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo”.

Via ACI Digital
http://www.acidigital.com



ORAÇÃO PELOS DONS DO ESPÍRITO SANTO


Espírito Santo concedei-me o dom da sabedoria, a fim de cada vez mais aprecie as coisas divinas e abrasado pelo fogo de vosso amor prefira com alegria as coisas do céu a tudo que é mundano e me una para sempre a Cristo, sofrendo por este mundo por seu amor.
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Espírito Santo, concedei-me o dom da inteligência para que, iluminado pela luz celeste de Vossa graça, bem entenda as sublimes verdades da salvação e da doutrina da santa religião.
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Espírito Santo, concedei-me o Dom do conselho tão necessário nos melindrosos passos da vida, para que escolha sempre aquilo que mais Vos seja do agrado, siga em tudo Vossa divina graça e saiba socorrer meu próximo com bons conselhos.
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Espírito Santo, concedei-me o dom da fortaleza para que despreze todo respeito humano, fuja do pecado, pratique as virtudes com santo fervor, e afronte com paciência e mesmo alegria do espírito o desprezo, o prejuízo, as perseguições e a própria morte, antes renegar por palavra e obra a Cristo.
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Espírito Santo, concedei-me o dom da ciência para que conheça mais a minha própria miséria e fraqueza, a beleza da virtude e o valor inestimável da alma e para que veja claramente as ciladas do demônio, da carne, do mundo, a fim de as evitar.
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Espírito Santo, concedei-me o dom da piedade que me tornará delicioso o trato e colóquio Convosco na oração e me fará amar a Deus com intimo amor como a meu Pai, Maria Santíssima e a todos os homens como meus irmãos, em Jesus Cristo.
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Espírito Santo, concede-me o dom do temor de Deus para que eu me lembre sempre, com suma reverência e profundo respeito, a Vossa divina presença, trema como os mesmos anjos diante de Vossa divina majestade e nada receie tanto quanto desagradar Vossos santos olhos.
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Vinde, Espírito Santo, ficai comigo e derramai sobre mim Vossas divinas bênçãos. 
Em nome de Jesus. Amém.


Oração retirada do Facebook de amiga Sherb Fernandes 


Solenidade de Pentecostes: "Assim como o Pai me enviou, eu vos envio"


Solenidade de Pentecostes

(RV) - «O autor do Evangelho deste domingo, João Evangelista, nos diz que a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos se deu no dia de Páscoa.

Ele desejava fazer-nos compreender que o Espírito que conduziu Jesus para sua missão de salvar a Humanidade é o mesmo que agora conduz a Igreja, comunidade dos seguidores de Jesus, na continuidade da mesma missão. A Igreja torna presente, na História, o Cristo Redentor.
Quando os discípulos, à tarde do primeiro dia da semana, estão reunidos o Senhor aparece no meio deles e lhes comunica a paz. Mostra-lhes os sinais de seus sofrimentos para lhes dizer que, apesar de seu aspecto glorioso, a memória da paixão não poderá ser deixada de lado, que a glória veio através da cruz.
Estamos no primeiro dia da semana, não nos esqueçamos. Exatamente com esse sentido do novo, do novo pós pascal, isto é, do novo eterno, que não caduca, que não envelhece, Jesus faz a nova criação soprando o Espírito sobre seus seguidores. É uma referência à criação do homem, relatada no cap. 2º, vers. 7 do Gênesis, quando diz que Deus soprou em suas narinas o hálito de vida e o homem passou a viver. No relato desse fato na tarde pascal, temos a criação da Comunidade Cristã.
A missão é dada logo em seguida: perdoar os pecados e até retê-los, se for o caso. Pecado é aquilo que impede a realização do projeto do Pai, que é a felicidade do ser humano. Ora, perdoar os pecados significa lutar para que os planos de Deus cheguem à sua concretização e, evidentemente, devolvendo àquele que está arrependido de suas ações contrárias a esse plano, a reconciliação.
Pelo batismo e pela crisma fazemos parte dessa comunidade que deve continuar a missão redentora de Jesus. Que honra!
Que nossas ações, seja na família, no trabalho ou no meio dos amigos, colaborem com a alegria e felicidade daqueles que nos cercam. Assim estaremos dando glória a Deus, pois a glória de Deus é a felicidade do homem».

(Reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos para a Solenidade de Pentecostes)

Via Radio Vaticano
http://br.radiovaticana.va

Caminhos do Evangelho - Solenidade de Pentecostes



Acompanhe a reflexão de Frei Gustavo Medella, OFM para este domingo, em que celebramos a Solenidade de Pentecostes.


domingo, 16 de abril de 2017

A EVANGELIZAÇÃO DEVE SER RESPEITOSA E HUMILDE: Papa Francisco

                        Foto ilustrativa-Internet 

Cidade do Vaticano – Nesta Quinta-feira Santa, 13, primeiro dia do Tríduo Pascal, o Papa Francisco celebrou a missa do Crisma na Basílica de São Pedro.
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No dia em que a Igreja recorda a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, a homilia do Papa começou precisamente com a afirmação que “assim como o Senhor foi ungido pelo Espírito, os sacerdotes, ungidos em seus pecados com o óleo do perdão e no seu carisma com o óleo da missão, devem ungir os outros”.
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E como Jesus – continuou o Papa – o sacerdote torna jubiloso o anúncio com toda a sua pessoa. “Com a Palavra com que o Senhor o tocou, deve fazê-lo com a alegria que toca o coração do seu povo!”. Para o Pontífice, o anúncio da Boa Nova contém algo que compreende em si a alegria do Evangelho, porque é jubilosa em si mesma.
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O Papa especificou ainda que as três graças do Evangelho: 
a sua Verdade – não negociável –, 
a sua Misericórdia – incondicional com todos os pecadores – 
e a sua Alegria – íntima e inclusiva, não podem ser separadas.
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“Nunca a verdade da Boa-Nova poderá ser apenas uma verdade abstrata; nunca a misericórdia da Boa-Nova poderá ser uma falsa compaixão, que deixa o pecador na sua miséria, não lhe dando a mão para se levantar; e enfim, nunca a Boa-Nova poderá ser triste ou neutra, porque é expressão de uma alegria inteiramente pessoal: ‘a alegria dum Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos’”.
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Em seguida, o Papa apresentou aos sacerdotes “três ícones de odres novos em que a Boa-Nova se conserva bem”:
O primeiro são as talhas de pedra das bodas de Caná, que bem espelham o Odre perfeito que é Nossa Senhora, a Virgem Maria; 
o segundo é o cântaro que a Samaritana trazia à cabeça, que expressa uma questão essencial: ser concreto. 
E o terceiro ícone da Boa-Nova é o Odre imenso do Coração trespassado do Senhor: integridade suave, humilde e pobre, que atrai todos a Si.
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“Dele devemos aprender que, anunciar uma grande alegria àqueles que são muito pobres, só se pode fazer de forma respeitosa e humilde, até à humilhação. A evangelização não pode ser presunçosa. Não pode ser rígida a integridade da verdade. Esta integridade suave dá alegria aos pobres e reanima os pecadores”, concluiu o Pontífice.

http://www.pvf.com.br


sábado, 15 de abril de 2017

Feliz Páscoa



Mensagem do Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, para a Páscoa.
Que Deus os abençoe, Paz e Bem!


Caminhos do Evangelho - Vigília Pascal



No Caminhos do Evangelho de hoje, Frei Valdecir Schwambach fala sobre a celebração da Vigília Pascal e a importância dos seus símbolos.

sábado, 8 de abril de 2017

Como São Francisco fez uma Quaresma numa ilha do lago de Perusa, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites, e não comeu mais do que meio pão.

Deus Pai quis fazer de São Francisco, o servo verdadeiro de Cristo, porque em algumas coisas foi como um outro Cristo, dado ao mundo para a salvação das pessoas, conforme e semelhante ao seu Filho Jesus Cristo, como nos demonstra no venerável colégio dos doze companheiros e no admirável mistério dos sagrados Estigmas, como no jejum contínuo da santa Quaresma, que ele fez do seguinte modo.  

Estando uma vez São Francisco,no dia do carnaval, ao lado do lago de Perusa, na casa de um seu devoto, com quem tinha se hospedado à noite, foi inspirado por Deus que fosse fazer aquela Quaresma numa ilha do lago. Por isso, São Francisco pediu a esse seu devoto que por amor de Cristo o levasse com a sua barca a uma ilha do lago onde não morasse ninguém, e fizesse isso na noite do dia de Cinzas, de modo que ninguém se desse conta. E ele, por amor da grande devoção que tinha por São Francisco, atendeu solicitamente ao seu pedido e o levou para a dita ilha; e São Francisco não levou consigo a não ser dois pãezinhos.  

E quando chegou à ilha e o amigo estava partindo para voltar para casa, São Francisco pediu-lhe encarecidamente que não revelasse a ninguém como ele estava lá, e que não viesse busca-lo a não ser na Quinta-feira Santa. E assim ele partiu, e São Francisco ficou sozinho.  

E como não havia nenhuma habitação em que pudesse abrigar-se, entrou num bosque muito espesso, que ameixeiras e arbustos tinham ajeitado como um ninho ou como uma cabaninha; e nesse lugar pôs-se a rezar e a contemplar as coisas celestiais.

 E esteve aí durante toda a Quaresma, sem comer nem beber, a não ser a metade de um dos pãezinhos, como descobriu o seu devoto na Quinta-feira Santa, quando voltou a ele; o qual encontrou, dos dois pãezinhos, um e meio; e a outra metade se acredita que São Francisco comeu por devoção ao jejum de Cristo bendito, que jejuou quarenta dias e quarenta noites sem tomar nenhum alimento material. E assim, com aquele meio pão, afastou de si o veneno da vanglória e, a exemplo de Cristo, e jejuou quarenta dias e quarenta noites.  

Depois, naquele lugar em que São Francisco tinha feito uma abstinência tão maravilhosa, Deus fez muitos milagres pelos seus méritos. Por isso, os homens começaram a construir casas lá e a morar nelas; e em pouco tempo fez-se um castelo bom e grande, e aí está o lugar dos frades, que se chama lugar da ilha. E os homens e mulheres daquele castelo ainda têm grande reverência e devoção por aquele lugar onde São Francisco fez a referida quaresma.  

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco.

Amém.

I Fioretti capitulo VII


DA VISÃO DE FREI JOÃO DO ALVERNE, NA QUAL CONHECEU TODA A ORDEM DA SANTA TRINDADE. I Fioretti de São Francisco de Assis: Capítulo LII

O sobredito Frei João do Alverne, porque já tinha afogado perfeitamente todo amor e tentação mundana e temporal, e tinha posto em Deus todo o seu amor e toda a sua esperança, dava-lhe a divina bondade maravilhosas consolações e revelações, especialmente nas solenidades de Cristo.
Daí, aproximando-se uma vez a solenidade do Nascimento de Cristo, em que de certo ele esperava consolação de Deus pela doce humanidade de Jesus, o Espírito Santo colocou em seu ânimo tão grande e excessivo amor e fervor da caridade de Cristo, pela qual ele se havia humilhado para assumir nossa humanidade, que na verdade parecia-lhe que a alma lhe tivesse sido tirada do corpo e estivesse queimando como uma fornalha.
Não podendo sofrer esse ardor, angustiava-se e se derretia todo, gritando em alta voz, pois que pelo ímpeto do Espírito Santo e pelo grande fervor do amor, não podia conter-se em gritar. E na hora daquele fervor desmesurado, vinha-lhe também uma esperança tão certa e forte de sua salvação que, por nada deste mundo acreditava que, se morresse nessa ocasião, deveria passar pelo purgatório. E esse amor permaneceu nele bem seis meses, ainda que o excessivo ardor não fosse contínuo, mas vinha em certas horas do dia.
Nesse tempo recebeu maravilhosas visitas e consolações de Deus. E muitas vezes foi arrebatado, como viu o frade que escreveu estas coisas pela primeira vez. Entre elas, uma vez foi tão elevado e arrebatado em Deus, que viu no Criador todas as coisas criadas, celestiais e terrenas, e todas as suas perfeições, graus e ordens distintas. E então ficou sabendo claramente como toda coisa criada se apresentava ao seu Criador, e como Deus está acima, dentro, fora e ao lado de todas as coisas criadas.
Também ficou conhecendo um Deus em três pessoas e três pessoas em um Deus, e a infinita caridade que fez o Filho de Deus encarnar-se por obediência ao Pai.
E finalmente ficou sabendo naquela visão como não havia nenhum outro caminho pelo qual a alma pudesse ir para Deus e ter a vida eterna, a não ser por Cristo bendito, que é caminho, verdade e vida da alma.

Para louvor de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco.
Amém.

Franciscanismo


quarta-feira, 1 de março de 2017

Hino Oficial da Campanha da Fraternidade 2017 - Cultivar e guardar a criação




FONTE VÍDEO: Franciscanos Rondinha

Tema: 
“Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”
Lema: “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15)


HINO OFICIAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2017

Letra: Padre José Antônio de Oliveira
Música: Wanderson Luiz Freitas

Louvado seja, ó Senhor, pela mãe terra,
que nos acolhe, nos alegra e dá o pão.
Queremos ser os teus parceiros na tarefa
de "cultivar e bem guardar a criação."
Refrão:
Da Amazônia até os Pampas,
do Cerrado aos Manguezais,
chegue a ti o nosso canto
pela vida e pela paz (2x)
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Vendo a riqueza dos biomas que criaste,
feliz disseste: tudo é belo, tudo é bom!
E pra cuidar a tua obra nos chamaste
a preservar e cultivar tão grande dom.
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Por toda a costa do país espalhas vida;
São muitos rostos - da Caatinga ao Pantanal:
Negros e índios, camponeses: gente linda,
lutando juntos por um mundo mais igual.
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Senhor, agora nos conduzes ao deserto
e, então nos falas, com carinho, ao coração,
pra nos mostrar que somos povos tão diversos,
mas um só Deus nos faz pulsar o coração.
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Se contemplamos essa "mãe" com reverência,
não com olhares de ganância ou ambição,
o consumismo, o desperdício, a indiferença
se tornam luta, compromisso e proteção.
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Que entre nós cresça uma nova ecologia,
onde a pessoa, a natureza, a vida, enfim,
possam cantar na mais perfeita sinfonia
ao Criador que faz da terra o seu jardim.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

sábado, 28 de janeiro de 2017

Missões Franciscanas da Juventude Oficial



Confira o vídeo oficial das Missões Franciscanas da Juventude, que aconteceu em Curitiba (PR), entre os dias 19 a 22 de janeiro de 2017!
" A próxima sede da Missões Franciscanas da Juventude será em AGUDOS E BAURU -SP entre os dias 18 e 21 de janeiro de 2018. "

Franciscanos Rondinha


Abraçar e seguir o Projeto de Deus, pede Vigário Provincial (Clique e veja a página completa)

Érika Augusto (texto e fotos)
Frei Leandro Costa, Frei Augusto Luiz Gabriel e Bruna Oliveira (fotos)

Neste domingo, 22/01/2017, os quase 500 jovens missionários que estavam espalhados pela grande Curitiba voltaram a se reunir na igreja Bom Jesus dos Perdões, na região central da capital paranaense, para celebrar a Eucaristia de encerramento da 4ª edição das Missões Franciscanas da Juventude.
A missa foi presidida por Frei César Külkamp, Vigário Provincial, Frei João Mannes, Definidor Provincial e Presidente da Associação Bom Jesus, Frei Alexandre Magno, pároco da Bom Jesus, e outros frades, religiosos e religiosas que estiveram presentes em todos os momentos das Missões Franciscanas. A bonita igreja ficou tomada de jovens missionários, que dividiam espaço com as famílias acolhedoras e outros paroquianos. O clima era de festa!
Em sua homilia, Frei César destacou que eles estavam celebrando não apenas o encerramento de um evento. “Nós não estamos reunidos em Curitiba apenas para um evento, apenas para um momento forte de emoções. Nós estamos aqui para fazer brilhar mais forte em nossos corações a luz da qual a Palavra de Deus nos fala: ‘Para o povo que habitava nas trevas, brilhou uma luz’”, afirmou.

Jesus que convida a cada um/a

O Evangelho deste 3º domingo do Tempo Comum, retirado de Mt 4, 12-23, fala do chamado dos primeiros discípulos, um tema muito tocante para a juventude. “Os discípulos Ele vai escolhendo, começa a chamá-los, ali naquele lugar. E não eram pessoas mais ilustres, não eram as pessoas mais influentes, poderosas. Ele escolhe homens simples, do povo, pescadores. Ali Ele chama Pedro e André”, acrescentou.
O Vigário Provincial recordou as palavras do Papa Francisco, ao criticar as pessoas que parecem anestesiadas diante da realidade, insensíveis, por causa do consumismo, das tecnologias e de outras coisas, que quando usadas corretamente são boas, mas que distraem do foco principal e nos faz esquecer o mais importante: o nosso próximo. “Cristo se apresenta como a luz que traz esperança, que traz um sentido novo para a nossa vida. Nós nos reunimos neste tempo para nos deixarmos iluminar, tocar por essa luz. A luz da verdade, a luz da fé, a luz que torna a nossa vida totalmente diferente, dá um sentido totalmente novo”, disse Frei César.
“Hoje também Ele nos convida para sermos seus discípulos. E o que significa ser discípulo hoje? Significa escutar com muita atenção à Sua Palavra, Seus ensinamentos, descobrir no Evangelho esta luz da fé, esta luz da verdade. , acrescentou Frei César, que disse ainda que durante as missões os jovens já puderam fazer esta experiência, ao fazerem o gesto do lava-pés.
Frei César agradeceu aos jovens pela presença e, ao receber aplausos dos jovens, disse que não eram para ele, mas que estes aplausos eram para toda a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

Frei Diego chama os jovens a refletirem sobre a causa de tantos problemas

Após a missa, os jovens seguiram para o ginásio, onde voltaram a se encontrar com os grupos das experiências, para avaliarem as missões. Os grupos falaram no plenário sobre as experiências vividas.
Ao final, Frei Diego provocou os jovens a não ficarem somente no campo sentimental, mas se questionarem o por que dos problemas sociais. “Aquela ocupação é fruto de um sistema, que gera pobres, é fruto de um sistema que exclui as pessoas, a gente precisa se dar conta disso. Isso não cai do dia pra noite, é importante a gente ter formação. A gente precisa ter essa leitura, essa visão, de que a missão nós podemos fazê-la com um alcance muito maior se a gente criar esse senso crítico”, acrescentou, falando sobre uma ocupação que os missionários visitaram.
O coordenador do SAV, que esteve na experiência no bairro Sabará, afirmou que uma das partilhas que ouviu o tocou muito, quando uma jovem dizia que estava saindo de lá angustiada. “Que a angústia se transforme no desejo de conhecer esta realidade, entender e procurar mudá-la, e aí assim a nossa missão vai ser maior ainda”, afirmou. Frei Diego falou ainda sobre as dúvidas que nascem no coração e na cabeça dos jovens diante de tantas informações. “Quando vocês tiverem dúvidas, façam a opção pelos pobres e mais fracos, pelas minorias”, concluiu.

A experiência ecumênica das Missões

Uma das características que tem se repetido nas atividades promovidas pelo SAV é a procura de participantes de outras confissões religiosas. Nestas Missões, 3 pessoas eram de igrejas evangélicas, e viveram intensamente a experiência, como foi o caso da Karina Costa, que foi participar a convite de seu irmão, Frei Leandro Costa, que agora reside em Vila Velha (ES). Ela é membro da Assembleia de Deus, do Ministério AD Promessa, e afirmou que foram dias inesquecíveis. “Quando a gente fala de construção, a gente pensa sempre que precisamos de outros elementos e ferramentas. A gente tem o cimento, tem areia, parafuso, madeira. Eu vejo isso na missão, cada um com sua função e sua importância”, afirmou.

VEJA A ENTREVISTA:


Outra participação que teve destaque foi a do Alciney e do Maciel, de Chopinzinho. Alciney é deficiente visual, e participou de todos os momentos, com a valiosa ajuda do Maciel. Os dois foram chamados ao palco para receber o carinho dos participantes. Mariana Rogoski, da equipe de preparação das Missões, falou sobre o cuidado de Maciel com o amigo, sempre acompanhando-o. Em sua simplicidade, Maciel agradeceu e pediu que o Senhor retribuísse a todos. Alciney partilhou sua experiência missionária, destacando que para ele foi fundamental ter ficado no centro, pois teve contato com uma realidade que não existe em Chopinzinho, as pessoas em situação de rua. “Eu, como cego, faço muitas coisas de ruim. Eu reclamo por nada e ontem, eu ajudando a entregar as frutas, muitos, só pelo gesto de dar a mão, um sorriso, ficavam agradecidos”, afirmou o jovem, que conseguiu a última vaga na caravana que viria para as Missões.

No encerramento, Frei Diego agradeceu a comissão que ajudou durante todo o processo de planejamento e preparação das Missões em Curitiba. Emocionado, Frei Diego agradeceu também ao Frei Gabriel Dellandrea, que passou a integrar a equipe do SAV. Falando sobre as Missões, o coordenador destacou a abertura dos participantes ao abraçarem o que foi proposto pela comissão organizadora. “Sem medo, com muita disposição, com muita alegria, eles abraçaram de fato tudo o que era proposto”, afirmou.

Como muitos disseram, ao sair de Curitiba nasce uma nova missão e uma realidade desafiadora na realidade de cada um. “Um grande desafio para a juventude de hoje é redescobrir o seu protagonismo na sua própria comunidade, na evangelização, descobrir a importância que tem o seu modo de pensar, o seu jeito de ser Igreja. É um grande desafio para os jovens e também para as comunidades, de aceitá-los com as suas riquezas e com os seus questionamentos”, ponderou.

Um dos momentos mais aguardados foi o anúncio da sede das próximas missões. Os jovens curitibanos passaram o tau da juventude, símbolo das missões, para os jovens de Agudos e Bauru, as cidades que receberão as Missões Franciscanas da Juventude entre os dias 18 e 21 de janeiro de 2018.

Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Os Fioretti de São Francisco – Capítulo 2

De Frei Bernardo de Quintavale, primeiro companheiro de S. Francisco

O primeiro companheiro de S. Francisco foi Frei Bernardo de Assis, o qual assim se converteu. Trazendo S. Francisco ainda vestes seculares, embora já houvesse renegado o mundo, e andando todo desprezível e mortificado pela penitência de modo a ser tido por muitos como estúpido e escarnecido como louco, perseguido com pedradas e lodo por seus parentes e por estranhos, e passando pacientemente, por entre injúrias e zombarias, como surdo e mudo: monsior Bernardo de Assis, que era um dos mais nobres e ricos e sábios da cidade, começou sabiamente a considerar em S. Francisco o tão excessivo desprezo, a grande paciência nas injúrias e que, havia dois anos já assim abominado e desprezado por todos, parecia sempre mais constante e paciente, começou a pensar e a dizer de si para consigo: “Não posso compreender que este Francisco não possua grande graça de Deus”; e o convidou para cear e dormir em sua casa; e S. Francisco aceitou, e ceou e dormiu em casa dele.
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E monsior Bernardo encheu o coração de desejos de contemplar a santidade dele: mandou preparar-lhe uma cama no seu próprio quarto, no qual sempre de noite ardia uma lâmpada. E S. Francisco, para ocultar sua santidade, logo que entrou no quarto, deitou-se e pareceu dormir; e monsior Bernardo também se deitou, depois de algum tempo, e começou a ressonar fortemente, como se estivesse dormindo profundamente.
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S. Francisco, certo de que ele dormia, levantou-se e pôs-se em oração, levantando os olhos e as mãos ao céu; e, com grandíssima devoção e fervor, dizia: “Deus meu, Deus meu”, e, assim dizendo e chorando muito, esteve até pela manhã, repetindo sempre: “Deus meu, Deus meu”, e nada mais; e isto dizia S. Francisco, contemplando e admirando a excelência da divina Majestade, a qual se dignava condescender com o mundo que perecia, e preparava-se pelo seu pobrezinho Francisco a prover com o remédio da salvação a alma dele e as dos outros.
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E então, iluminado pelo espírito de profecia, prevendo as grandes coisas que Deus ia realizar por seu intermédio e de sua Ordem, e considerando a sua insuficiência e pouca virtude, clamava e suplicava a Deus que, com a sua piedade e onipotência, sem a qual nada pode a humana fragilidade, suprisse, ajudasse e cumprisse o que pôr si só não podia.
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Vendo monsior Bernardo, à luz da lâmpada, os devotíssimos atos de S. Francisco, e considerando devotamente as palavras que ele dizia, foi tocado e inspirado pelo Espírito Santo a mudar de vida; pelo que, ao amanhecer, chamou S. Francisco, e disse assim: “Irmão Francisco, estou inteiramente disposto, no meu coração, a abandonar o mundo e a seguir-te no que mandares”.
Ouvindo isto S. Francisco alegrou-se em espírito e falou: “Monsior Bernardo, isto que disseste é coisa tão grande e maravilhosa, que é preciso pedirmos conselho a Nosso Senhor Jesus Cristo e rogar-lhe que nos mostre a sua vontade e nos ensine o modo de executá-la: para isso vamos ao bispado, onde há um bom padre, e pediremos que celebre a missa; depois ficaremos rezando até Terça, pedindo a Deus que, abrindo o missal três vezes, nos mostre o caminho que lhe agrada seguir-mos”.
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Respondeu monsior Bernardo que isso era muito de seu agrado. Puseram-se a caminho e foram ao bispado; e depois de ouvirem a missa e estarem em oração até Terça, o padre, a pedido de S. Francisco, tomou o missal e, feito o sinal da santa cruz, o abriu por três vezes em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo: e na primeira vez apareceu aquela palavra que disse Cristo no Evangelho ao jovem que lhe perguntou pelo caminho da perfeição: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens e dá aos pobres e segue-me”; na segunda, apareceu aquela palavra que Cristo disse aos apóstolos, quando os mandou pregar: “Nada leveis para a jornada, nem bordão, nem alforje, nem sandálias, nem dinheiro”; querendo com isto ensinar-lhes que deviam pôr em Deus toda a esperança na vida, e dar toda a atenção a pregação do santo Evangelho; na terceira abertura do missal apareceu aquela palavra que Cristo disse: “Quem quiser vir após mim, abandone a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
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Então disse S. Francisco a monsior Bernardo: “Eis o conselho que Cristo nos dá: vai, pois, e faze exatamente como ouviste: e seja bendito Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se dignou mostrar-nos seu caminho evangélico”.
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Ouvindo isto, partiu monsior Bernardo e vendeu o que possuía, porque era muito rico: e com grande alegria distribuiu tudo aos pobres e às viúvas e aos órfãos, aos prisioneiros, aos mosteiros, aos hospitais e aos peregrinos; e em cada coisa S. Francisco fielmente e prudentemente o ajudava. Ora, vendo um por nome monsior Silvestre, que S. Francisco dava e mandava dar tanto dinheiro aos pobres, cheio de avareza disse a S. Francisco: “Não me pagaste por inteiro aquelas pedras que me compraste para consertar a igreja e agora, que tens dinheiro, paga-me”.
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Então S. Francisco, maravilhando-se de tanta avareza e não que rendo questionar com ele, como verdadeiro seguidor do Evangelho, meteu as mãos na sacola de monsior Bernardo e, enchendo-as de moedas, derramou-as na sacola de monsior Silvestre, dizendo que, se mais quisesse, mais lhe daria.
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Satisfeito monsior Silvestre com aquilo, partiu e voltou a casa: e de tarde, repensando no que fizera durante o dia, e arrependendo-se de sua avareza, e considerando o fervor de monsior Bernardo e a santidade de S. Francisco, na noite seguinte e em duas noites outras teve de Deus esta visão: que da boca de S. Francisco saía uma cruz de ouro, cujo cimo tocava o céu e os braços se estendiam do oriente ao ocidente.
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Por causa desta visão ele deu por amor de Deus o que possuía e fez-se frade menor, e viveu na Ordem com tanta santidade e graça, que falava com Deus, como um amigo faz com outro, conforme S. Francisco muitas vezes verificou e além se declarará.
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Monsior Bernardo, semelhantemente, recebeu tantas graças de Deus, que com freqüência ficava arroubado em Deus em contemplação: e S. Francisco dele dizia que era digno de toda a reverência e que havia sido ele o fundador daquela Ordem: porque fora o primeiro a abandonar o mundo, nada reservando para si, mas dando tudo aos pobres de Cristo, e tinha começado a pobreza evangélica, oferecendo-se nu aos braços do Crucificado: o qual seja por nós bendito in secula seculorum. 
Amém.